sábado, janeiro 21, 2006



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bandeira

regressou a lisboa depois do estrangeiro lhe ter avivado a beleza da comunidade e lhe ter feito esquecer as queimaduras da pátria. deixou o aeroporto num táxi passando na meia hora seguinte pelo terreiro do paço. ao parar num semáforo teve um esgar que lhe fez deslocar a cabeça para a esquerda. defrontou-se com a bandeira portuguesa e socalcou a memória na esperança de algo encontrar. percebeu naquela fracção de segundos que a bandeira constituía um elemento que nada lhe dizia. nada. não porque o exterior lhe renovara a dimensão do conceito. não porque acumulara devagarinho um sentimento antipatriótico. não. aliás. a bandeira norte-americana também nada lhe comunicava. no fundo. o que o aproximava mais ou menos daquele rectângulo esvoaçante feito de pano era a sua plasticidade. a sua grafia. daí adorar a bandeira do japão. daí adorar a bandeira do canadá.
a bandeira portuguesa era outra história. aquela combinação de padrões soava subitamente estranha. falsa. intensamente nula. lembrou-se então que já antes de abandonar o país sentia por vezes uma total indiferença por este símbolo. olhou para o semáforo e compreendeu o porquê da sua sensação. a monotonia das cores era precisamente a mesma.

e.e.

1 comentário:

Ortensa Casulo disse...

compreendo. corroboro. mas há que perceber que o país é um país de brandes costumes. assim, o grafismo da bandeira também é brando. E tu, como bom tuga que és, vá-lá, sê brando também na crítica. mesmo que de repente te dê vontade de dar um valente pontapé a toda esta brandura portuguesa!