BLA…BLÂ, BLÁ,..blablablablaaaa…BLA !
Segundo o funcionalismo, o manifesto, a expressão individual não é muito mais que o resultado dos mecanismos criadores da forma social, das ferramentas impostas. A paixão é por subtracção, um resultado da acção da sociedade e sua expressão.
Consideremos então, substituir o funcionalismo por, digamos, um dinamismo construtivista, seguido da seguinte forma: a construção da personalidade, identidade do indivíduo, seria não só o resultado da colisão entre as acções exteriores e o núcleo primordial da sua existência, mas também, o resultado da acção das emoções e reacções criadas pelo indivíduo ao que o rodeia.
A força geradora da identidade depositada na sociedade, estaria compreendida também ao individuo, e toda a sua re/acção seria da mesma forma que a outrem, um movimento gerador de identidade. O sistema social seria a possibilidade do movimento de todas as emoções próprias a cada indivíduo. As ferramentas à disposição, seriam adaptações heterogéneas do uso das mesmas, cada pessoa seria o resultado não do crescimento da personalidade inicial mas sim, um metabolismo de sentimentos, emoções e suas acções sobre os espaços habitados.
A unidade existencial fragmenta-se infinitesimalmente. O teorema causa/ consequência, é substituído por causa/causa/causa…….
Como concluir, o que nos unifica como um conjunto activo, identificativo de uma sociedade ou de um grupo social no tempo, talvez seja, não o substantivo do sistema que nos possui mas sim, as emoções que cada um de nós partilha num confronto com o mesmo. A emoção é intenção, em quantidade e união, o sentimento individual transforma-se em sociedade, o contrário ou a aspiração a tal, não é mais que um pseudónimo.
(desculpem lá………ainda não me surgiu um outro contributo mais apropriado a este espaço, o formato esfuma-se um pouco, mas espero fazer-me entender, parcialmente pelo menos)
quarta-feira, março 08, 2006
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
As intersecções das descontinuidades - a falibilidade da comparação
Há um lugar nebuloso, atómico, onde as intersecções das descontinuidades dar-se-ão. Esse lugar não será um lugar e a sua substância não será mais do que a estrutura da ambiguidade, a relação com o intocável. Nesse perímetro de possibilidades, acontece o encontro das leituras. É aí que um mundo microscópico se autonomiza e se revela com muito dificuldade, ou melhor, com a sagacidade da persistência.
Com isto pretendo obter uma imagem do processo de encontro de duas obras ou de duas leituras, entendidas como se fossem várias rectas, como se fossem continuidades que se querem intersectadas. Essas continuidades possuem espaços vazios, descontínuos, e é nesses espaços vazios que ocorre a vizinhança, a adivinhação da proximidade. O lugar que não é lugar, pois trata de tempo e de modo, pode significar não a habitual característica ambivalente da correspondência entre autores – feita de reproduções, de simulacros em diapositivo – mas, antes, a interpretação apreendida nos negativos da matéria. É que não só de visibilidade se faz o comum, nem tão pouco se consegue deduzir com clareza e precisão suficientes esse tal espaço de semelhanças. Daí perder sempre o intuito de objectividade, aquele que tentar sumas aproximações ao evidente.
[a propósito do paralelismo das obras e suas leituras - Rorty e Orwell]
cf. Contingência, Ironia e Solidariedade, Richard Rorty (1989), capítulo 8, essencialmente.
Álvaro Seiça Neves
Há um lugar nebuloso, atómico, onde as intersecções das descontinuidades dar-se-ão. Esse lugar não será um lugar e a sua substância não será mais do que a estrutura da ambiguidade, a relação com o intocável. Nesse perímetro de possibilidades, acontece o encontro das leituras. É aí que um mundo microscópico se autonomiza e se revela com muito dificuldade, ou melhor, com a sagacidade da persistência.
Com isto pretendo obter uma imagem do processo de encontro de duas obras ou de duas leituras, entendidas como se fossem várias rectas, como se fossem continuidades que se querem intersectadas. Essas continuidades possuem espaços vazios, descontínuos, e é nesses espaços vazios que ocorre a vizinhança, a adivinhação da proximidade. O lugar que não é lugar, pois trata de tempo e de modo, pode significar não a habitual característica ambivalente da correspondência entre autores – feita de reproduções, de simulacros em diapositivo – mas, antes, a interpretação apreendida nos negativos da matéria. É que não só de visibilidade se faz o comum, nem tão pouco se consegue deduzir com clareza e precisão suficientes esse tal espaço de semelhanças. Daí perder sempre o intuito de objectividade, aquele que tentar sumas aproximações ao evidente.
[a propósito do paralelismo das obras e suas leituras - Rorty e Orwell]
cf. Contingência, Ironia e Solidariedade, Richard Rorty (1989), capítulo 8, essencialmente.
Álvaro Seiça Neves
sábado, janeiro 21, 2006

http://www.flags.net/JAPA.htm
bandeira
regressou a lisboa depois do estrangeiro lhe ter avivado a beleza da comunidade e lhe ter feito esquecer as queimaduras da pátria. deixou o aeroporto num táxi passando na meia hora seguinte pelo terreiro do paço. ao parar num semáforo teve um esgar que lhe fez deslocar a cabeça para a esquerda. defrontou-se com a bandeira portuguesa e socalcou a memória na esperança de algo encontrar. percebeu naquela fracção de segundos que a bandeira constituía um elemento que nada lhe dizia. nada. não porque o exterior lhe renovara a dimensão do conceito. não porque acumulara devagarinho um sentimento antipatriótico. não. aliás. a bandeira norte-americana também nada lhe comunicava. no fundo. o que o aproximava mais ou menos daquele rectângulo esvoaçante feito de pano era a sua plasticidade. a sua grafia. daí adorar a bandeira do japão. daí adorar a bandeira do canadá.
a bandeira portuguesa era outra história. aquela combinação de padrões soava subitamente estranha. falsa. intensamente nula. lembrou-se então que já antes de abandonar o país sentia por vezes uma total indiferença por este símbolo. olhou para o semáforo e compreendeu o porquê da sua sensação. a monotonia das cores era precisamente a mesma.
e.e.
sábado, janeiro 14, 2006
previsão
viste as sondagens?
não. não ligo a isso.
não viste? com um ano de antecedência já garantem a vitória do jefferson.
ai sim? pois olha. sabes bem que eu não gosto nada de ir atrás dos outros como um cordeirinho. prezo muito o meu sentido de análise intelectual e reflexão política. mas: já agora: quem é que tinha a menor percentagem?
o johnson em coligação com o richardson. apenas 3.1 %!
ai é? pois olha. até te digo: até que já estava inclinada para eles. coitadinhos! 3.1%! onde é que já se viu? assim não se incentiva ninguém. valha-nos deus!
e.e.
viste as sondagens?
não. não ligo a isso.
não viste? com um ano de antecedência já garantem a vitória do jefferson.
ai sim? pois olha. sabes bem que eu não gosto nada de ir atrás dos outros como um cordeirinho. prezo muito o meu sentido de análise intelectual e reflexão política. mas: já agora: quem é que tinha a menor percentagem?
o johnson em coligação com o richardson. apenas 3.1 %!
ai é? pois olha. até te digo: até que já estava inclinada para eles. coitadinhos! 3.1%! onde é que já se viu? assim não se incentiva ninguém. valha-nos deus!
e.e.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
sexta-feira, dezembro 09, 2005
[ao thomas]
O poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
in Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner Andresen
O poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
in Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, novembro 16, 2005
uscriptus
tive uma vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto. um texto assim crescente. crescente. oportuno. claríssimo e destrutivamente construtivo. um texto sulfúrico que atacasse o tema bem pelas suas fundações e depois lhe agarrasse as vértebras torcendo-as e dando-lhes uma nova configuração.
tinha o texto acabadinho de aprontar.
tive esta vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto.
achei melhor promovê-lo a outro estado vivente e em ebulição extrema torná-lo gasoso. era um texto bom demais para deixar à consideração de um espaço tão imenso tão anónimo tão plagiador tão. tão. e tão claramente inerte.
o da vossa leitura.
e.e.
tive uma vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto. um texto assim crescente. crescente. oportuno. claríssimo e destrutivamente construtivo. um texto sulfúrico que atacasse o tema bem pelas suas fundações e depois lhe agarrasse as vértebras torcendo-as e dando-lhes uma nova configuração.
tinha o texto acabadinho de aprontar.
tive esta vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto.
achei melhor promovê-lo a outro estado vivente e em ebulição extrema torná-lo gasoso. era um texto bom demais para deixar à consideração de um espaço tão imenso tão anónimo tão plagiador tão. tão. e tão claramente inerte.
o da vossa leitura.
e.e.
quarta-feira, outubro 26, 2005
William Kentridge Museu do Chiado
7 Outubro - 31 Dezembro 2005
A exposição de William Kentridge patente no Museu do Chiado em Lisboa coloca ao observador questões interessantes do processo criativo. Instiga-o. Ao filmar e refilmar o desenvolvimento da sua actividade envolvendo desenho e relação com as coisas e os objectos que produzem ou suportam o seu fazer, devolve-nos uma tradição em crescente esquecimento - a narrativa do desenho. Assim, com pequenos filmes bastante elucidatórios, remete-nos para um imaginário muito próprio onde volteiam o significado da imagem e a (des)materialização do desenho. A encenação da matéria é, neste trabalho, uma das peças mais intensas e exploradas. O elemento fantástico contido no seu processo e a trama de uma história evidenciam que o caminho a seguir não tem de ser forçosamente o de uma desumanização da arte e da morte da figuração. Se não, contemplem:
www.museudochiado-ipmuseus.pt/
www.gregkucera.com/kentridge.htm
7 Outubro - 31 Dezembro 2005
A exposição de William Kentridge patente no Museu do Chiado em Lisboa coloca ao observador questões interessantes do processo criativo. Instiga-o. Ao filmar e refilmar o desenvolvimento da sua actividade envolvendo desenho e relação com as coisas e os objectos que produzem ou suportam o seu fazer, devolve-nos uma tradição em crescente esquecimento - a narrativa do desenho. Assim, com pequenos filmes bastante elucidatórios, remete-nos para um imaginário muito próprio onde volteiam o significado da imagem e a (des)materialização do desenho. A encenação da matéria é, neste trabalho, uma das peças mais intensas e exploradas. O elemento fantástico contido no seu processo e a trama de uma história evidenciam que o caminho a seguir não tem de ser forçosamente o de uma desumanização da arte e da morte da figuração. Se não, contemplem:
www.museudochiado-ipmuseus.pt/
www.gregkucera.com/kentridge.htm
quinta-feira, outubro 20, 2005
romantismo
de certa forma a teoria fractal não poderia existir sem os românticos alemães. a origem. a tão perseguida origem. a ideia de todo o discurso ser por sucessão discurso do discurso. de todo o pensamento ser pensamento do pensamento. esta ideia que se quer próxima do núcleo mas que se distancia cada vez mais só nos pode levar a concluir que o pensamento é conscientemente fractal a partir do romantismo. finais do século 18. a reflexão fractal estava assim inaugurada.
e.e.
de certa forma a teoria fractal não poderia existir sem os românticos alemães. a origem. a tão perseguida origem. a ideia de todo o discurso ser por sucessão discurso do discurso. de todo o pensamento ser pensamento do pensamento. esta ideia que se quer próxima do núcleo mas que se distancia cada vez mais só nos pode levar a concluir que o pensamento é conscientemente fractal a partir do romantismo. finais do século 18. a reflexão fractal estava assim inaugurada.
e.e.
segunda-feira, outubro 10, 2005
sugestões
doc lisboa: 15 a 23 outubro 2005 culturgest
www.doclisboa.org
6ª festa do cinema francês: 6 a 16 outubro 2005 instituto franco-português e forum lisboa
www.festadocinemafrances.com/
doc lisboa: 15 a 23 outubro 2005 culturgest
www.doclisboa.org
6ª festa do cinema francês: 6 a 16 outubro 2005 instituto franco-português e forum lisboa
www.festadocinemafrances.com/
segunda-feira, outubro 03, 2005
quarta-feira, setembro 28, 2005
TEORIA DAS CORES
Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a ínsidia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.
in Os Passos em Volta, Herberto Helder, Assírio e Alvim, 8ª edição, 2001, p. 22.
Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a ínsidia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.
in Os Passos em Volta, Herberto Helder, Assírio e Alvim, 8ª edição, 2001, p. 22.
segunda-feira, setembro 26, 2005
Companhia do Eu
Venho apresentar-vos a Companhia do Eu, um novo espaço pelo qual sou
responsável. A Companhia do Eu é um centro de cursos de criatividade e
cultura, oferecendo:
- cursos de escrita criativa e escrita de autobiografia
- cursos de pintura
- cursos de criatividade e cultura para crianças
- cursos de cultura (cursos básicos, breves mas concisos) sobre os mais
diversos temas: História de Lisboa, Islão - História e Cultura, Poesia Portuguesa do Século XX, Vinhos...
- cursos breves sobre um poeta, acompanhados por um especialista: José
Régio, Vitorino Nemésio...
Está tudo no site www.companhiadoeu.com
Grato, com um abraço,
Pedro Sena-Lino
Venho apresentar-vos a Companhia do Eu, um novo espaço pelo qual sou
responsável. A Companhia do Eu é um centro de cursos de criatividade e
cultura, oferecendo:
- cursos de escrita criativa e escrita de autobiografia
- cursos de pintura
- cursos de criatividade e cultura para crianças
- cursos de cultura (cursos básicos, breves mas concisos) sobre os mais
diversos temas: História de Lisboa, Islão - História e Cultura, Poesia Portuguesa do Século XX, Vinhos...
- cursos breves sobre um poeta, acompanhados por um especialista: José
Régio, Vitorino Nemésio...
Está tudo no site www.companhiadoeu.com
Grato, com um abraço,
Pedro Sena-Lino
domingo, setembro 25, 2005
TAHAR BEN JELLOUN INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS
29 de SETEMBRO 2005 às 18h30
TAHAR BEN JELLOUN, autor marroquino de expressão francesa nascido em Fez em 1944, Prémio Goncourt 1987, é autor, entre outros, de O Albergue dos Pobres, Uma Ofuscante Ausência de Luz, Arzila / Estação de Espuma, O Menino de Areia ou O Racismo explicado aos Jovens (galardoado com o 'Prémio da Tolerância Universal' pelo grupo dos Amigos das Nações Unidas, uma organização não governamental que se propõe dar a conhecer os princípios e valores da ONU).
O escritor e psicólogo vem a Portugal para apresentar os seus livros, Amores Feiticeiros e Escrivão Público com a chancela da editora Cavalo de Ferro e estará no Instituto Franco-Português no dia 29 de Setembro às 18h30 para um encontro com o público.
www.ifp-lisboa.com
29 de SETEMBRO 2005 às 18h30
TAHAR BEN JELLOUN, autor marroquino de expressão francesa nascido em Fez em 1944, Prémio Goncourt 1987, é autor, entre outros, de O Albergue dos Pobres, Uma Ofuscante Ausência de Luz, Arzila / Estação de Espuma, O Menino de Areia ou O Racismo explicado aos Jovens (galardoado com o 'Prémio da Tolerância Universal' pelo grupo dos Amigos das Nações Unidas, uma organização não governamental que se propõe dar a conhecer os princípios e valores da ONU).
O escritor e psicólogo vem a Portugal para apresentar os seus livros, Amores Feiticeiros e Escrivão Público com a chancela da editora Cavalo de Ferro e estará no Instituto Franco-Português no dia 29 de Setembro às 18h30 para um encontro com o público.
www.ifp-lisboa.com
sexta-feira, setembro 23, 2005
quinta-feira, setembro 22, 2005
A Biblioteca
"(...) um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós."
in A Biblioteca, Umberto Eco, trad. Maria L. Rodrigues de Freitas, Difel, 5ª ed., 2002.
"(...) um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós."
in A Biblioteca, Umberto Eco, trad. Maria L. Rodrigues de Freitas, Difel, 5ª ed., 2002.
segunda-feira, setembro 19, 2005
tribalismo
O arquitecto Fernando Távora morreu. Como sempre, foi-se o corpo mas ficou o legado. No passado dia 10 de setembro, sábado, o jornal Público incluiu no suplemento mil folhas um artigo do arq. Alves Costa recordando o falecido colega e amigo. No meio das palavras já gastas dos capitães-arquitectos deste país, aparecia uma fotografia reunindo F. Távora, A. Costa e A. Siza. Recordei alguns pensamentos que tivera no passado, assim que abandonei o curso de Arquitectura da Faculdade do Porto. Observando a imagem, podemos reparar no tribalismo atemporal que percorre o ser humano, desde os primórdios até à actualidade. Ali se encontram os três, de calça clara, sapato sóbrio mas despreocupado, camisa não muito folclórica (não convém a um bom arquitecto armar-se de floreados e ornamentos, sobretudo se for ou seguir a tendência da Escola do Porto), posta para dentro da cinta, que a barriga quer-se crescente e as fraldas de outrora olvidáveis, e os pobres dos óculos, sempre contidos, à beira da queda livre, numa artimanha bastante prática, volteando o pescoço, digna de um bom projectista! Ora... será necessário todo este fenómeno de pequenas identidades e polimentos de imagem para se pertencer a algo? Será necessário clonarmos um ideal repetido (mesmo que negando do auge da nossa maturidade intelectual o evidente), acusarmos esse tribalismo pequenino tão milenar (longínquo mas ao mesmo tempo mais próximo do que nunca) e mesmo assim ladrar por essas avenidas fora que se é muito independente e arquitecto e intelectual e que não se faz parte, mas a sério! acreditem! que não se faz parte de nenhum grupo, qualquer que ele seja, porque, olhem para mim, eu sou independente e o meio não me afecta! (?)
Tudo isto para transmitir que só de olhar para aquela simples fotografia de confraternização fiquei enjoado durante um bom pedaço.
Não mudamos! Espantem-se os néscios, pois o tribalismo continua e bem presente.
Álvaro Seiça Neves
O arquitecto Fernando Távora morreu. Como sempre, foi-se o corpo mas ficou o legado. No passado dia 10 de setembro, sábado, o jornal Público incluiu no suplemento mil folhas um artigo do arq. Alves Costa recordando o falecido colega e amigo. No meio das palavras já gastas dos capitães-arquitectos deste país, aparecia uma fotografia reunindo F. Távora, A. Costa e A. Siza. Recordei alguns pensamentos que tivera no passado, assim que abandonei o curso de Arquitectura da Faculdade do Porto. Observando a imagem, podemos reparar no tribalismo atemporal que percorre o ser humano, desde os primórdios até à actualidade. Ali se encontram os três, de calça clara, sapato sóbrio mas despreocupado, camisa não muito folclórica (não convém a um bom arquitecto armar-se de floreados e ornamentos, sobretudo se for ou seguir a tendência da Escola do Porto), posta para dentro da cinta, que a barriga quer-se crescente e as fraldas de outrora olvidáveis, e os pobres dos óculos, sempre contidos, à beira da queda livre, numa artimanha bastante prática, volteando o pescoço, digna de um bom projectista! Ora... será necessário todo este fenómeno de pequenas identidades e polimentos de imagem para se pertencer a algo? Será necessário clonarmos um ideal repetido (mesmo que negando do auge da nossa maturidade intelectual o evidente), acusarmos esse tribalismo pequenino tão milenar (longínquo mas ao mesmo tempo mais próximo do que nunca) e mesmo assim ladrar por essas avenidas fora que se é muito independente e arquitecto e intelectual e que não se faz parte, mas a sério! acreditem! que não se faz parte de nenhum grupo, qualquer que ele seja, porque, olhem para mim, eu sou independente e o meio não me afecta! (?)
Tudo isto para transmitir que só de olhar para aquela simples fotografia de confraternização fiquei enjoado durante um bom pedaço.
Não mudamos! Espantem-se os néscios, pois o tribalismo continua e bem presente.
Álvaro Seiça Neves
quarta-feira, agosto 31, 2005
socorro a naúfragos
fica a sugestão de leitura da crítica ao livro Hidra:
O Primeiro de Janeiro:
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=d67d8ab4f4c10bf22aa353e27879133c&subsec=f0935e4cd5920aa6c7c996a5ee53a70f&id=c6ad4138713e03840b9c7da08103e3a2
fica a sugestão de leitura da crítica ao livro Hidra:
O Primeiro de Janeiro:
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=d67d8ab4f4c10bf22aa353e27879133c&subsec=f0935e4cd5920aa6c7c996a5ee53a70f&id=c6ad4138713e03840b9c7da08103e3a2
quarta-feira, julho 13, 2005
tradição
para pablo a arena tem sido o fulgor da estética e da beleza. o embaraço dignificante do animal perante o toureiro. para pablo a arena é cromatismo a vibrar. linhas curvas de sedução. um kitsch soberbo. para pablo as touradas são a mais alta manifestação do domínio racional. da casta superior. se não fossem os toureiros há muito que a espécie touro estaria diminuída. ou mesmo extinta. se não fossem os toureiros e os amigos das touradas. se não fossem. ai se não fossem. todo este ritual sublime perder-se-ia para sempre. e para pablo a tradição pesa mais do que tudo. a tradição deve-se manter. repete incessantemente pablo. a tradição deve-se manter. transformada ou não. mas tradição. para pablo a arena é a convergência dos sentidos e do rejubilar humano. para pablo a arena é o olimpo terreno. ali se faz e ali se decide. o sacrifício impera na senda do belo. isso sim. isso é beleza. para pablo o touro é o pólo masculino. para pablo o toureiro é o feminino. e depois nisto tudo. pólo masculino e feminino. naquela dança dionisíaca. depois disto. ai que linda cena de amor carnal mas também espiritual não fazem os dois. é lindo. lindo lindo lindo.
pablo pensava tudo isto até ontem. ontem a terra foi invadida por uma entidade desconhecida. assim como tantos outros. assim. pablo foi deportado para uma gigante arena. à entrada espumava e vacilava de ansiedade. todo ele transpirava dúvida. a certeza das certezas já se esfumara. pablo questionou a entidade. a entidade comunicou-lhe: a tradição deve-se manter.
e.e.
para pablo a arena tem sido o fulgor da estética e da beleza. o embaraço dignificante do animal perante o toureiro. para pablo a arena é cromatismo a vibrar. linhas curvas de sedução. um kitsch soberbo. para pablo as touradas são a mais alta manifestação do domínio racional. da casta superior. se não fossem os toureiros há muito que a espécie touro estaria diminuída. ou mesmo extinta. se não fossem os toureiros e os amigos das touradas. se não fossem. ai se não fossem. todo este ritual sublime perder-se-ia para sempre. e para pablo a tradição pesa mais do que tudo. a tradição deve-se manter. repete incessantemente pablo. a tradição deve-se manter. transformada ou não. mas tradição. para pablo a arena é a convergência dos sentidos e do rejubilar humano. para pablo a arena é o olimpo terreno. ali se faz e ali se decide. o sacrifício impera na senda do belo. isso sim. isso é beleza. para pablo o touro é o pólo masculino. para pablo o toureiro é o feminino. e depois nisto tudo. pólo masculino e feminino. naquela dança dionisíaca. depois disto. ai que linda cena de amor carnal mas também espiritual não fazem os dois. é lindo. lindo lindo lindo.
pablo pensava tudo isto até ontem. ontem a terra foi invadida por uma entidade desconhecida. assim como tantos outros. assim. pablo foi deportado para uma gigante arena. à entrada espumava e vacilava de ansiedade. todo ele transpirava dúvida. a certeza das certezas já se esfumara. pablo questionou a entidade. a entidade comunicou-lhe: a tradição deve-se manter.
e.e.
segunda-feira, julho 11, 2005
Safo: novo poema 2600 anos depois
"[You for] the fragrant-blossomed Muses’ lovely gifts
[be zealous,] girls, [and the] clear melodious lyre:
[but my once tender] body old age now
[has seized;] my hair’s turned [white] instead of dark;
my heart’s grown heavy, my knees will not support me,
that once on a time were fleet for the dance as fawns.
This state I oft bemoan; but what’s to do?
Not to grow old, being human, there’s no way.
Tithonus once, the tale was, rose-armed Dawn,
love-smitten, carried off to the world’s end,
handsome and young then, yet in time grey age
o’ertook him, husband of immortal wife."
Safo
(poema restaurado e traduzido por Martin West)
Da poetisa, musa da antiguidade clássica e não só, como ainda se pode ver e ler, conhecem-se três poemas completos, vários aforismos e centenas de fragmentos. Agora, 2600 anos depois, foi encontrado um novo poema sobre a passagem do tempo, o envelhecimento do ser humano, o amor, ...
fica a sugestão dos artigos correspondentes:
The Times Literary Supplement:
http://poetry.about.com/gi/dynamic/offsite.htm?site=http://www.the%2Dtls.co.uk/this%5Fweek/story.aspx%3Fstory%5Fid=2111206
The Guardian:
http://books.guardian.co.uk/news/articles/0%2C6109%2C1513491%2C00.html
"[You for] the fragrant-blossomed Muses’ lovely gifts
[be zealous,] girls, [and the] clear melodious lyre:
[but my once tender] body old age now
[has seized;] my hair’s turned [white] instead of dark;
my heart’s grown heavy, my knees will not support me,
that once on a time were fleet for the dance as fawns.
This state I oft bemoan; but what’s to do?
Not to grow old, being human, there’s no way.
Tithonus once, the tale was, rose-armed Dawn,
love-smitten, carried off to the world’s end,
handsome and young then, yet in time grey age
o’ertook him, husband of immortal wife."
Safo
(poema restaurado e traduzido por Martin West)
Da poetisa, musa da antiguidade clássica e não só, como ainda se pode ver e ler, conhecem-se três poemas completos, vários aforismos e centenas de fragmentos. Agora, 2600 anos depois, foi encontrado um novo poema sobre a passagem do tempo, o envelhecimento do ser humano, o amor, ...
fica a sugestão dos artigos correspondentes:
The Times Literary Supplement:
http://poetry.about.com/gi/dynamic/offsite.htm?site=http://www.the%2Dtls.co.uk/this%5Fweek/story.aspx%3Fstory%5Fid=2111206
The Guardian:
http://books.guardian.co.uk/news/articles/0%2C6109%2C1513491%2C00.html
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