quarta-feira, novembro 16, 2005

uscriptus

tive uma vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto. um texto assim crescente. crescente. oportuno. claríssimo e destrutivamente construtivo. um texto sulfúrico que atacasse o tema bem pelas suas fundações e depois lhe agarrasse as vértebras torcendo-as e dando-lhes uma nova configuração.
tinha o texto acabadinho de aprontar.
tive esta vontade fortíssima de deixar aqui o meu melhor texto.
achei melhor promovê-lo a outro estado vivente e em ebulição extrema torná-lo gasoso. era um texto bom demais para deixar à consideração de um espaço tão imenso tão anónimo tão plagiador tão. tão. e tão claramente inerte.
o da vossa leitura.

e.e.

quarta-feira, outubro 26, 2005

William Kentridge Museu do Chiado

7 Outubro - 31 Dezembro 2005


A exposição de William Kentridge patente no Museu do Chiado em Lisboa coloca ao observador questões interessantes do processo criativo. Instiga-o. Ao filmar e refilmar o desenvolvimento da sua actividade envolvendo desenho e relação com as coisas e os objectos que produzem ou suportam o seu fazer, devolve-nos uma tradição em crescente esquecimento - a narrativa do desenho. Assim, com pequenos filmes bastante elucidatórios, remete-nos para um imaginário muito próprio onde volteiam o significado da imagem e a (des)materialização do desenho. A encenação da matéria é, neste trabalho, uma das peças mais intensas e exploradas. O elemento fantástico contido no seu processo e a trama de uma história evidenciam que o caminho a seguir não tem de ser forçosamente o de uma desumanização da arte e da morte da figuração. Se não, contemplem:

www.museudochiado-ipmuseus.pt/

www.gregkucera.com/kentridge.htm

quinta-feira, outubro 20, 2005

romantismo

de certa forma a teoria fractal não poderia existir sem os românticos alemães. a origem. a tão perseguida origem. a ideia de todo o discurso ser por sucessão discurso do discurso. de todo o pensamento ser pensamento do pensamento. esta ideia que se quer próxima do núcleo mas que se distancia cada vez mais só nos pode levar a concluir que o pensamento é conscientemente fractal a partir do romantismo. finais do século 18. a reflexão fractal estava assim inaugurada.

e.e.

segunda-feira, outubro 10, 2005

sugestões


doc lisboa: 15 a 23 outubro 2005 culturgest
www.doclisboa.org

6ª festa do cinema francês: 6 a 16 outubro 2005 instituto franco-português e forum lisboa
www.festadocinemafrances.com/

segunda-feira, outubro 03, 2005

12



há uma telha quebrada
em cada telhado
encontrada a telha
é por lá que se descobre
a careca funda
obstáculo igual
na escadaria-vertigem




Álvaro Seiça Neves

quarta-feira, setembro 28, 2005

TEORIA DAS CORES

Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a ínsidia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.

in Os Passos em Volta, Herberto Helder, Assírio e Alvim, 8ª edição, 2001, p. 22.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Companhia do Eu

Venho apresentar-vos a Companhia do Eu, um novo espaço pelo qual sou
responsável. A Companhia do Eu é um centro de cursos de criatividade e
cultura, oferecendo:
- cursos de escrita criativa e escrita de autobiografia
- cursos de pintura
- cursos de criatividade e cultura para crianças
- cursos de cultura (cursos básicos, breves mas concisos) sobre os mais
diversos temas: História de Lisboa, Islão - História e Cultura, Poesia Portuguesa do Século XX, Vinhos...
- cursos breves sobre um poeta, acompanhados por um especialista: José
Régio, Vitorino Nemésio...

Está tudo no site www.companhiadoeu.com


Grato, com um abraço,

Pedro Sena-Lino

domingo, setembro 25, 2005

TAHAR BEN JELLOUN INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS

29 de SETEMBRO 2005 às 18h30


TAHAR BEN JELLOUN, autor marroquino de expressão francesa nascido em Fez em 1944, Prémio Goncourt 1987, é autor, entre outros, de O Albergue dos Pobres, Uma Ofuscante Ausência de Luz, Arzila / Estação de Espuma, O Menino de Areia ou O Racismo explicado aos Jovens (galardoado com o 'Prémio da Tolerância Universal' pelo grupo dos Amigos das Nações Unidas, uma organização não governamental que se propõe dar a conhecer os princípios e valores da ONU).
O escritor e psicólogo vem a Portugal para apresentar os seus livros, Amores Feiticeiros e Escrivão Público com a chancela da editora Cavalo de Ferro e estará no Instituto Franco-Português no dia 29 de Setembro às 18h30 para um encontro com o público.

www.ifp-lisboa.com

sexta-feira, setembro 23, 2005

Ainda sobre a Biblioteca...

"A biblioteca não é um sarcófago, é um repositório de ciência viva"

_ 1918 Raúl Proença


Stormy Angel

quinta-feira, setembro 22, 2005

A Biblioteca

"(...) um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós."

in A Biblioteca, Umberto Eco, trad. Maria L. Rodrigues de Freitas, Difel, 5ª ed., 2002.